Capitalismo em xeque no encontro de bilionários em Davos

28/1/2012 15:03, 

Por Redação, com agências internacionais - de Davos, Suíça

Davos

Manifestantes, em Davos, culpam os ricos pela pobreza mundial

A conferência organizada entre as empresas e países mais ricos do mundo, neste sábado em Davos, na Suíça, começou com um protesto no qual um grupo de ativistas ucranianas, conhecido como Femen, tirou a roupa contra o capitalismo e seus efeitos na sociedade moderna. “Somos pobres por culpa de vocês”, escreveu no torso nu uma das manifestantes, num recado ao sistema que, mundialmente, experimenta seus piores dias desde que foi idealizado, ainda na Revolução Industrial britânica, há quatro séculos.

Nos dias de hoje, o capitalismo tem futuro? Ainda serve à sociedade do século XXI? As perguntas cabem perfeitamente nas palavras de ordem dos movimentos de protesto que já ocuparam as praças e alamedas da pequena estação de esqui nos Alpes suíços, quando não tiram a roupa no frio abaixo de zero. Mas, na realidade, estão no centro do primeiro debate do Fórum Económico Mundial, que reúne desde os ministros das finanças dos países ricos aos grandes banqueiros, sobretudo norte-americanos, diante da herança de erros da crise financeira dos últimos anos. Mas poderá haver pouco tempo para reflectir sobre isso, com a Europa e o mundo em suspenso por causa de outra crise, a da dívida soberana.

A própria agenda encarregou-se de antecipar as principais preocupações. Dentre os 2,6 mil líderes políticos, empresariais e financeiros que se hospedaram, este ano, para o Fórum de Davos, foi a chanceler alemã Angela Merkel a escolhida para abrir o primeiro dos cinco dias do encontro. Com uma nova cúpula europeia já na próxima segunda-feira, os labirínticos corredores e os luxuosos hotéis de Davos servem de palco às discussões paralelas entre os líderes europeus, às voltas com a perspectiva de recessão na zona euro, com um difícil acordo para a reestruturação da dívida grega e com a necessidade de travar o contágio da crise às grandes economias da moeda única.

Enquanto isso, os organizadores do FEM ainda tentam, uma vez mais, elevar a discussão a outro patamar, em linha com o tema deste ano: A Grande Transformação: Dar Forma a Novos Modelos. Klaus Schwab, fundador do Fórum de Davos, foi o primeiro a atirar contra o modelo econômico que naufraga:

– O capitalismo, na sua forma atual, não se adequa ao mundo à nossa volta.

Declarações que cabem feito luva ao movimento Ocupar Wall Street e aos demais protestos que circundam o planeta, em Davos ecoam desde os luxuosos hotéis onde ocorrem as principais discussões do encontro de bilionários até os acampamentos de iglus dos manifestantes contrários ao sistema, na montanha suíça, a 1,5 mil metros de altura. As perguntas sem respostas, porém, encontram-se no momento com os “homens de Davos”. Ou seja, muitos dos banqueiros que tiveram de pedir a ajuda dos Estados, dos economistas que não previram a crise e dos líderes políticos que continuam sem dar uma resposta convincente aos problemas actuais.

Após um breve afastamento de Davos, entre 2009 e 2010, no início da crise do capitalismo mundial, e de um tímido regresso no ano passado, os banqueiros voltam este ano a afirmar a sua presença. Vikram Pandit, o diretor executivo do Citigroup, é um dos co-presidentes do Fórum, o primeiro de um banco norte-americano desde 2008. No momento em que as atenções se voltam para os bancos europeus, expostos à dívida grega e dependentes da ajuda do Banco Central Europeu (BCE), a história recente do Citigroup até passa despercebida: foi o banco norte-americano que mais pediu ajuda ao Estado assim que a crise mundial eclodiu e foi o que apresentou a pior performance aos acionistas na última década e Vikram Pandit. Desde o início de 2009, Pandit reduziu o seu salário a US$ 1 até o banco ultrapassar os seus problemas, mas já recebeu, no ano passado, um bónus de US$ 16 milhões.

Ao presidente do Citigroup junta-se uma delegação com os líderes dos maiores bancos, como o Bank of America e o JP Morgan Chase. São eles que, lado a lado com a classe empresarial de topo, com as dezenas de multimilionários e com cerca de 40 líderes políticos, ficaram com a espinhosa tarefa de discutir cenários de mudança e os modelos económicos que podem fazer essa transição do capitalismo para um outro sistema, que ainda não sabem qual, exatamente. E isto quando a confiança nos “homens de Davos” está mais frágil que nunca.

Esta semana, o barômetro Edelman, realizado no âmbito do FEM, revela um forte declínio na confiança pública nos governos e no setor empresarial. Outro estudo do Fórum, sobre os Riscos Mundiais em 2012, colocava o agravamento das desigualdades sociais no topo das preocupações de mais de 400 especialistas do mundo acadêmico, empresarial e governamental para a próxima década. Depois da Primavera Árabe ter gerado uma onda revolucionária de protestos, o receio patente no relatório é que o crescimento do fosso entre ricos e pobres, o desemprego jovem e a falta de confiança no futuro possam plantar as “sementes da desordem” e abrir caminho à agitação social.

O aumento do desemprego, o abrandamento da economia mundial e o risco de protecionismo são algumas das questões no topo da agenda de Davos. Contudo, no meio das mais de 280 sessões oficiais – painéis, discursos eworkshops- há de tudo um pouco. Desde as descobertas científicas que deverão moldar o mundo este ano às diferenças entre uma sonata de Beethoven tocada em instrumentos musicais velhos ou modernos. Desde os discursos do presidente do BCE (Mario Draghi), da líder do FMI (Christine Lagarde) ou do secretário do Tesouro americano (Timothy Geithner) à presença dos líderes da Unilever e da General Electric. Tudo isto polvilhado com as famosas festas, que têm conferido a Davos uma aura de exclusividade, luxo e decadência.

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