Sara Winter revela porque o Femen não deu certo no Brasil

São Paulo – Com vinte anos, noiva e prestes a liderar (outro) movimento feminista no Brasil, Sara Winter tem mais história para contar que a maioria dos jovens na sua idade, a maioria delas polêmicas. A mais recente envolve o fim do grupo Femen no país, filial do movimento feminista ucraniano conhecido no mundo todo pelos protestos realizados por mulheres seminuas.

Depois de desentendimentos e uma acusação de mal uso de verbas do grupo, as ucranianas fecharam o Femen Brazil e proibiram Sara e as demais de usar nomes e logos oficiais. Agora, as ex-integrantes prometem se reorganizar. “Elas não pensavam na cultura brasileira. Nosso novo movimento vai ser pelo Brasil”, afirma Sara, em conversa com EXAME.com.

A ativista não conhecia o significado de feminismo até, em 2011, ler notícias sobre o grupo da Ucrânia. No ano seguinte, visitou Kyiv e voltou como embaixadora do Femen no Brasil. O período na liderança do grupo foi importante para, segundo ela, espalhar o que é feminismo, "coisa que as pessoas não conheciam antes do Femen aqui", defende.

Além de explicar os motivos do rompimento, que envolvem um “pedido de pichação do Cristo Redentor”, Sara conversou com a reportagem por telefone da sua cidade natal, São Carlos, interior de São Paulo, sobre a competição que ela diz existir dentro do movimento feminista brasileiro, o suposto envolvimento com neonazismo e o porquê de não gostar dos livros de Simone de Beauvoir.

EXAME.com - Como aconteceu esse rompimento com o Femen da Ucrânia?
Sara Winter –
Elas têm uma postura muito ditatorial e pouco interesse em conhecer a cultura brasileira. Não prestam atenção nas nossas religiões e mandavam pedidos absurdos para nós.

EXAME.com – Quais seriam?
Sara –
Por exemplo, elas pediram que a gente pichasse o Cristo Redentor. A gente não ia conseguir apoio popular nenhum, só ia receber a ira da população. Havia uns absurdos assim. Elas queriam que a gente contratasse um helicóptero para poder pintar o símbolo do Femen no Cristo. É uma coisa completamente inviável e só quem não é do Brasil pensa numa possibilidade dessas.

EXAME.com – Uma das fundadoras do grupo na Ucrânia, Alexandra Shevchenko, a acusa de ter usado mal uma verba enviada pela sede para ação no Brasil. Como você se posiciona sobre isso?
Sara –
Elas mandaram um dinheiro para que fosse comprado extintor de incêndio para irmos na Sapucaí, no Carnaval, e jogar espuma de extintor nas pessoas. O grupo até tinha concordado em fazer, mas depois pensamos bem e decidimos que não dá para usar um extintor de incêndio. Não tem nem como entrar lá com um e você pode acabar machucando as pessoas. Tentamos renegociar com as meninas da Ucrânia. Mas elas viraram o demônio em pessoa. Não aceitaram e me ameaçaram. Disseram que se eu não cumprisse as ordens elas iam espalhar para a mídia que eu era ladra.

EXAME.com – E o que aconteceu com o dinheiro?
Sara –
Esse dinheiro foi usado para outro protesto. Um que aconteceu no aeroporto do Rio de Janeiro.

EXAME.com – Mas esse protesto não pareceu ter nada que exigisse mais gastos.
Sara –
Não, não teve nada assim. Só a gente no aeroporto. As meninas da Ucrânia enviaram dinheiro para o transporte das ativistas de vários lugares do Brasil para o Rio de Janeiro, mas ninguém tinha calculado outros gastos. As ativistas chegaram sem dinheiro para comer, sem coroa, sem cartaz, sem ter onde ficar. Eu não podia deixar elas sem alimentação e teve vários gastos que não estavam nos planos.

EXAME.com – O grupo não era muito grande ou rentável no país. Você tem algum emprego?
Sara –
Eu faço vários bicos como modelo fotográfica, mas naquela época elas enviaram para mim 1.200 reais como dinheiro pessoal porque elas estavam me devendo desde que voltei para o Brasil. 

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Via: exame.abril.com.br


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