Ato do Femen na avenida Paulista é recebido com indiferença

Hermano Freitas
Direto de São Paulo

Duas jovens com os seios à mostra e vestidas apenas com calcinhas sujas de tinta gritando palavras de ordem aos berros não foram capazes de abalar a tranquilidade da avenida Paulista na tarde deste domingo. A dupla ficou cerca de 10 minutos seminua na frente do Museu de Arte de São Paulo (MASP) sem que a Polícia Militar paulista tomasse conhecimento da ação. O primeiro protesto do grupo de ativistas mulheres Femen, de origem ucraniana, famoso por usar jovens que fazem topless e normalmente são reprimidas em segundos por policiais, teve como único momento de tensão a troca de "gentilezas" entre a ativista Sara Winter, 20 anos, e um garoto que brincou com o protesto.

Repetindo "Brasil, não siga o exemplo do Rio" e "Nossas crianças, nossas decisões", Sara e Bruna Themis, 21 anos, chegaram por volta das 13h30 ao local marcado pelos avisos distribuídos à imprensa em um Astra com placa de Mairiporã. Após tentar, sem sucesso, descer do veículo na avenida, optaram por um estacionamento próximo. Durante a manifestação, empunharam cartazes contra o Sistema Único de Saúde (SUS). A manifestação começou com as duas deitadas com bonecos entre as pernas. Depois, Bruna e Sara subiram no alambrado para gritar suas palavras de ordem - o mote do protesto é a recente proibição do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) da participação de médicos obstetras em partos residenciais.

Após instantes sobre a estrutura, resolveram circular pela avenida cercadas por fotógrafos e cinegrafistas. Em dado momento, as duas começaram a usar o inglês nas palavras de ordem 'our children, our decisions'. O ato, que começou em um extremo do museu terminou no exato oposto, da mesma forma que havia iniciado - de repente e com a indiferença das centenas de transeuntes.

Primeira integrante do Femen no País, Sara não perdoou um jovem que lamentou o fim do protesto perguntando se havia "acabado o strip-tease". "Vem então mostrar o seu pinto pra ver se você gosta 'filho da p...'!", respondeu a feminista. O popular recebeu a reprimenda às gargalhadas. No restante do tempo, a atenção despertada pelo "nudismo político" - como é definido o estilo de protesto no material de divulgação - foi praticamente nenhuma.

O coletivo Femen
Criado com o objetivo de lutar contra o turismo sexual, o Femen tem se expandido para temáticas como corrupção na administração pública e o papel da mulher na sociedade. Grávida, a fundadora e porta-voz do coletivo no Brasil, Carla Zambelli, usa sua própria experiência na concepção do filho João, 4 anos, presente à manifestação nesta tarde, para lamentar as condições oferecidas no sistema de saúde do Brasil. "Quero ter meu filho em casa", diz, apontando para a barriga proeminente e pintada com os dizeres "quero nascer em casa".

Após fazer sua primeira aparição brasileira na avenida mais importante do País, o grupo promete fazer protestos também na capital, Brasília, durante o julgamento do Mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), previsto para agosto.

Via: noticias.terra.com.br


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