Tunisianos protestam contra ações da organização feminista Femen

Sara Winter do movimento Femen na Campus Party 2013 (Leyberson Pedrosa / Portal EBC)

Tunísia - Dezenas de tunisianos manifestaram-se hoje contra a Femen, grupo de militantes feministas que mostram os seios como forma de protesto, em frente a um tribunal em Kairouan, onde uma ativista tunisiana daquela organização começou hoje a ser julgada.

As manifestantes, que empunhavam cartazes com as frases "Fora" e "Gente Porca", protestavam contra o julgamento da jovem ativista Amina Sboui, também conhecida como Amina Tyler, detida no dia 19 de maio enquanto pintava a palavra "Femen" no muro de um cemitério.

A jovem de 19 anos, que é acusada de posse ilegal de spray de autodefesa, apareceu hoje em tribunal coberta por um véu tradicional tunisiano (safsari).

Ao juiz, Amina explicou que tinha o spray para "defesa pessoal".

Um dos advogados de defesa, Souheib Bahri, sustentou que as acusações contra a jovem ativista se baseiam num decreto de 1894, que prevê penas de seis meses a cinco anos de prisão por posse de equipamento incendiário ou explosivo.

Segundo o advogado, Amina não arrisca mais que a pena mínima, uma vez que apenas tinha um spray de autodefesa. A sentença deverá ser conhecida durante a tarde de hoje.

Ainda hoje, deverão ser apresentadas a um juiz outras três ativistas - duas francesas e uma alemã -, que na quarta-feira mostraram os seios diante do Palácio da Justiça, em Tunes, em protesto pela detenção e julgamento de Amina.

No exterior do tribunal, em Kairouan, dezenas de manifestantes chocados com as ações da Femen dirigiram insultos ao advogado da jovem ativista e a polícia teve que fazer um cordão para proteger o edifício.

Vários advogados, dizendo-se representantes dos habitantes de Kairouan, reclamaram a participação no processo e pediram um alargamento das acusações contra a jovem, o que foi rejeitado pelo juiz.

"Ela quer semear a confusão e a sedição em Kairouan e queremos que o processo seja transferido para o procurador-geral. Isto não é apenas um caso de posse de bomba de gás lacrimogéneo", sustentou um dos advogados.

Antes do início da sessão, o pai de Amina, Mounir Sboui, mostrou-se orgulhoso da filha, mas considerou que os seus atos foram desmensurados.

Amina chocou a Tunísia em março ao publicar fotos com os seios à mostra na Internet, tendo recebido nessa altura ameaças dos islamitas, segundo o seu próprio testemunho.

A organização feminista Femen, fundada na Ucrânia e atualmente baseada em Paris, realiza há vários anos ações de protesto em que as ativistas mostram os seios para denunciar a discriminação das mulheres.

A Tunísia, governada desde 2011 pelos islamitas do Ennahda, tem uma das legislações mais liberais do mundo árabe relativa aos direitos das mulheres, mas a igualdade não está consagrada na Constituição.

Via: ebc.com.br


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